Antes de complicações da Fifa, clube escancarou satisfação por sediar o Mundial. Dirigentes preferem perder Copa do que se endividar
Por Alexandre Alliatti Porto Alegre
Na entrada do Beira-Rio, um painel em vermelho afirma que o estádio está em obras. Afinal, ali é a sede porto-alegrense do Mundial de 2014, diz o Inter em uma mensagem, com exclamação e tudo: “A Copa do Mundo é nossa!”. O que o clube não imaginava, ao escancarar seu orgulho nos letreiros, era que complicações da Fifa colocariam em risco a presença do torneio na casa colorada. É improvável, mas pode acontecer de o Inter ter que se submeter a retirar os painéis, porque o Mundial corre o risco de não acontecer ali.
Painel na entrada do Beira-Rio pode perder sentido
(Foto: Alexandre Alliatii / Globoesporte.com)
São dois problemas. Primeiro, a exigência da Fifa de que o clube apresente garantias financeiras mais sólidas. A entidade não aceitou a proposta do clube de fazer as reformas do Beira-Rio com recursos próprios. Será preciso recorrer a uma empresa parceira ou a financiamentos bancários. Segundo, o clube recebeu a determinação de que terá que rebaixar o gramado em 1,5 metro. O problema é que ali está um lençol freático. A obra, admite o clube, até é possível, mas representa um custo que a diretoria prefere nem imaginar. O Inter bate o pé e não aceita rebaixar o gramado.
Como consequência, corre o risco de ficar sem a Copa e ver todos aqueles painéis (assim como camisetas com a mesma mensagem) perderem o sentido.
- Claro que isso seria feio, mas ficaria mais feio ter que se endividar por causa disso – afirmou Emídio Ferreira, vice-presidente de Patrimônio do Inter.
Clube exclama que Copa será no estádio, mas
corre risco (Foto: Globoesporte.com)
Na semana que vem, o vice-presidente do Inter, Pedro Affatato, terá novo encontro com o Comitê Organizador Local da Fifa. O dirigente tentará abrandar as exigências da entidade. Sobre o gramado, o Inter sugere que os primeiros degraus das arquibancadas não sejam utilizados. O anel inferior, garante o clube, será elevado, o que melhorará a visibilidade do campo, que é justamente o motivo que levou a Fifa a pedir o rebaixamento do campo.
A diretoria do Inter está claramente irritada com as exigências. Emídio Ferreira argumenta que as conversas sobre as reformas se arrastam há dois anos e meio e lamenta que só agora a Fifa tenha reclamado do gramado. Boa parte da diretoria colorada já não fala com tanto entusiasmo sobre sediar o Mundial. Bateu uma resignação no clube, um sentimento de que é melhor ficar sem a Copa do que ver o clube se endividar por causa daquilo que um dirigente classificou como “frescura” da Fifa.
Mesmo assim, o clube segue confiante de que tudo será resolvido. Enquanto isso, como diz a placa na entrada do estádio, o Beira-Rio segue em obras – que, garante a diretoria, serão mantidas com ou sem Copa do Mundo no Beira-Rio.
(Fonte: Globoesporte.com)