segunda-feira, 28 de maio de 2018

As finanças do Internacional: o clube mais ineficiente do futebol brasileiro se complica


Marcelo Medeiros elevou a folha salarial e conseguiu a proeza de não vencer nem a segunda divisão. As dívidas oriundas desta estratégia ameaçam o futuro colorado

Ainda em abril de 2017, no início de sua gestão, o presidente Marcelo Medeiros reuniu a imprensa para dar um diagnóstico da condição financeira do Internacional – rebaixado para a segunda divisão por seu antecessor, Vitorio Piffero. O novo mandatário acabara de fazer uma faxina no elenco colorado, com as saídas de 26 jogadores – entre eles o meia Alex, que fizera sucesso no próprio Inter nos anos 2000, e o meia Anderson. Ambos caros. Era de se esperar que as dispensas fossem baixar os custos do clube e prepará-lo para um ano modesto. Que nada. Medeiros mandou ver em aquisições de atletas ainda mais caros. “A folha subiu porque a folha do ano passado nos rebaixou. A estratégia daquela folha nos levou para a segunda divisão”, defendeu o cartola diante dos jornalistas. Medeiros conseguiu o improvável. Degradou as contas coloradas, tornou o time ainda mais ineficiente e não conseguiu nem ser o melhor da Série B.

Todo grande clube rebaixado para a segunda divisão aproveita a humilhante temporada do descenso, ao menos, para reavaliar as finanças. Não existe a menor necessidade de gastar aquilo que se despende na elite. Para que se tenha ideia da disparidade, o América-MG foi campeão da Série B em 2017 com uma folha salarial de R$ 10,5 milhões. Por ano! Também promovido, o Paraná gastou R$ 5,2 milhões com salários e direitos de imagem. Junto do Ceará, que não detalha adequadamente seus gastos, essas foram as equipes que se deram bem na tabela – o que torna justa a dedução de que os demais adversários gastaram ainda menos do que isso. O Internacional achou que a sua folha da temporada fracassada de 2016, de R$ 119 milhões, era baixa para ganhar a segunda divisão. Medeiros a elevou para R$ 139 milhões – 13 vezes maior do que a do América-MG e 26 vezes maior do que a do Paraná. E nem assim foi campeão.

Aqui entre nós, pouco importa ao torcedor colorado se a taça da Série B não foi acrescentada à estante que tem um Mundial de Clubes, duas Libertadores e três Brasileiros. Não é disso que se trata. O novo presidente do Internacional se gaba de ter atingido o principal objetivo do ano, voltar para a primeira divisão. Tudo certo. O problema foi o preço pago para chegar lá. O Botafogo cortou sua folha pela metade em 2015 e conseguiu a promoção (e o título). O Vasco reduziu seus gastos com salários em 2014 e os manteve no mesmo patamar em 2016, nas duas vezes em que frequentou a segunda divisão nesta década. Não foi campeão em nenhuma delas, mas chegou à meta traçada sem consumir um dinheiro que a Série B não demandava. O Palmeiras segurou as remunerações no mesmo nível em 2013. Só o Internacional tomou a decisão de acrescentar R$ 20 milhões à folha do ano anterior – que já não era baixa. E para quê?

Em paralelo, houve baixa na arrecadação. O contrato de televisão rendeu aquilo que fora negociado com a Globo quando se pensava na primeira divisão, sem nenhum desconto por causa do rebaixamento. As demais entradas de dinheiro foram problemáticas. O quadro social colorado, alicerce que fez dele um dos times de futebol mais bem-sucedidos dos anos 2000 com seus mais de 100 mil sócios, rendeu menos do que no ano anterior. Os licenciamentos administrados pelo marketing também caíram, outro destaque contumaz do clube. Era óbvio que receitas acabariam estagnadas ou retraídas. Fora o fato de que a economia brasileira continuou a penalizar os cidadãos, não havia motivo para que qualquer linha de receita subisse na segunda divisão. Os jogos da Série B têm menos atratividade para o torcedor que se acostumou a frequentar o Beira-Rio com a equipe na parte de cima da tabela da Série A.

Outro motivo pela contenção de despesas em plena segunda divisão estava nas transferências de atletas – ou, melhor, na falta delas. O Internacional se habituou a tirar muito dinheiro dos talentos que revelou e exportou em seus momentos vitoriosos. Entre 2006 e 2015, os colorados contabilizaram uma média de R$ 68 milhões por temporada com essas vendas. A equipe chegou a fazer R$ 124 milhões em 2013, graças às saídas de Leandro Damião para o Santos e de Fred para o Shakthar Donetsk – o meia que agora disputará a Copa do Mundo de 2018 com a seleção brasileira. Essa máquina de fazer dinheiro quebrou. Ela gerou R$ 20 milhões em 2016 e R$ 26 milhões em 2017. Como esta era uma receita que seus dirigentes contavam para fechar o orçamento no azul, este orçamento ficou para lá de vermelho quando ela deixou de entrar no caixa. De novo, era previsível que o clube não fosse conseguir recursos com vendas de jogadores na Série B. O elenco que o rebaixou no ano anterior estava tão desvalorizado que o próprio Medeiros, quando chegou, livrou-se de 26 atletas em somente dois meses de gestão.


O Internacional gastou mais. Arrecadou menos. Não deu outra. Todos os indicadores financeiros pioraram de uma temporada para outra. A partir do momento em que faltou dinheiro para arcar com despesas, a direção colorada se viu forçada a endividar o clube. No total, os R$ 357 milhões devidos ao término de 2017 representam a maior dívida da sua história. E o numerão é mais grave do que parece. Aqui é preciso quebrá-lo partes para que se entenda como ele prejudica a rotina da administração. Uma distinção possível é a de curto e longo prazos. Quanto disso precisa ser quitado em curto prazo, no decorrer de 2018? Cerca de R$ 200 milhões. 56% do total. Basta comparar essa parte da dívida com o faturamento recorrente colorado, na casa dos R$ 220 milhões por ano, sem considerar vendas de jogadores nem luvas por novos contratos de televisão, para que se chegue à conclusão de que a dívida é impagável. E só estamos falando daquilo que será cobrado em 2018, não da dívida inteira.

Outro jeito de picotar o endividamento é pelo tipo de credor. Do total, 31% são devidos para o governo e estão equacionados pelo Profut, programa instituído em 2015 que permitiu a times de futebol renegociar e parcelar impostos não pagos nas décadas passadas. Esta não é uma parte da dívida que Medeiros tem motivos para temer, desde que mantenha os pagamentos das parcelas em dia. A dívida fiscal representa só um terço do total. Outros 30% incluem dívidas trabalhistas, resultado de ex-funcionários que ficaram sem receber os salários que lhes foram prometidos e abriram ações judiciais para enfim recebê-los. Este é um tipo perigoso porque, se não houver um acordo, a Justiça tem poder de penhorar receitas. Muitos times brasileiros passam por essa situação. Dirigentes veem a grana ser tomada por credores antes mesmo que ela chegue à conta bancária. É por isso que dívidas trabalhistas não podem sair do controle. Elas têm poder de sufocar o fluxo de caixa, que por sua vez acarreta atrasos em salários do elenco atual, que por sua vez entra na Justiça para receber o que lhe foi prometido. Vira uma bola de neve.

Outra bola de neve da qual o Internacional entende é a bancária. Sabe como Medeiros pôde acertar as contas ao término de 2017, com um orçamento que gastou mais do que arrecadou? Com empréstimos bancários. Ao longo da temporada, o dirigente contraiu R$ 55 milhões em novos empréstimos e pagou R$ 27 milhões dos que estavam para vencer. Entre aquilo que foi captado e aquilo que foi quitado, existe uma diferença de R$ 28 milhões, certo? É exatamente esta a quantia que foi acrescentada para o endividamento colorado. Este é um tipo de dívida do qual não há escapatória. Gerente de banco sabe que clube de futebol não tem crédito na praça, então toma duas precauções para liberar o financiamento: primeiro, sobe a taxa de juros para compensar o risco que está assumindo; segundo, pega contratos de televisão como garantia de pagamento. Se o Inter não chegar com o dinheiro na data combinada, o banco mostra o contrato da Globo e fica com as verbas dos direitos de transmissão para ele sem que elas passem pelo caixa do clube. Assim como a trabalhista, essa é outra dívida com a qual dirigente nenhum devia exagerar. A administração colorada vem abusando dela.

Das cartas que poderia colocar na mesa para equilibrar a desordem financeira, o clube gaúcho já usou a maioria. Em 2016, o então presidente Piffero vendeu antecipadamente os direitos de transmissão em TV fechada para o Esporte Interativo pelo biênio de 2019 e 2020. No mesmo ano, acertou a venda dos direitos de todas as plataformas para a Globo pelo período de 2021 a 2024. Os R$ 61 milhões recebidos em luvas, bônus pelas assinaturas dos contratos, foram imediatamente consumidos pelo orçamento estourado. Não seria uma decisão trágica se, ao mesmo tempo em que recolheu verbas de temporadas seguintes, o cartola tivesse ajustado as contas do clube para romper o ciclo vicioso. Não foi o caso do Internacional. Piffero vendeu a maior parte dos direitos e deixou um orçamento descompassado entre receitas e despesas. Medeiros teve a oportunidade de reduzir custos quando chegou, mas decidiu elevá-los, apesar de jogar a segunda divisão. A única propriedade de mídia que lhe restou foram os direitos de TV aberta e pay per view para o biênio de 2019 e 2020, estes negociados no início de 2018.

O Inter chegou a 2018 com uma das temporadas mais desafiadoras de sua história. Nas finanças, o que seu orçamento projeta não anima. O documento elaborado pelo departamento financeiro conta com R$ 55 milhões em jogadores vendidos, mais as expansões de várias receitas ordinárias, para que o ano termine com um déficit de “apenas” R$ 29 milhões. Isso apesar de uma redução das remunerações do futebol, para R$ 125 milhões, em relação ao que se viu na segunda divisão. É difícil tirar dos números motivos para otimismo. No campo, o retorno à primeira divisão lhe devolve o potencial de expandir receitas com marketing, bilheterias e associados. Desde que o futebol funcione, claro. No Campeonato Gaúcho, a equipe caiu nas quartas de final para o arquirrival Grêmio e assistiu às semifinais e à final pela televisão. Na Copa do Brasil, foi eliminada nos 16 avos de final para o Vitória nos pênaltis – derrotada para variar por um adversário de reduzida capacidade financeira. Restou o Brasileirão. O Internacional precisa desesperadamente de eficiência nele para começar a clarear seu futuro.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Grêmio aparece entre os 50 clubes que mais levaram torcedores aos estádios nos últimos 10 anos no mundo Pesquisa da Pluri Consultoria apontou o Tricolor na 47ª posição


Um levantamento da Pluri Consultoria apontou os 50 clubes que mais levaram torcedores ao estádio nos últimos 10 anos no futebol mundial. A lista é liderada pelo Barcelona, que totalizou 21.686.743 torcedores no período.

Entre os 50 listados, são quatro brasileiros: Corinthians, São Paulo, Flamengo e Grêmio.

O Tricolor está em 47° lugar, o quarto brasileiro, com 7.860.235 torcedores — uma média de 22.017 por partida.

Para o levantamento, foram considerados apenas jogos em casa em campeonatos nacionais e internacionais disputados entre 2008 e 2017.

Zagueiro contestado poderá ser devolvido ao Internacional nos próximos dias.



Segundo informações da imprensa carioca, o Vasco tem interesse de devolver o zagueiro Paulão ao Internacional após ser afastado do Cruzmaltino por conta de uma foto em que um grupo de jogadores ironiza a própria torcida, todos eles foram afastados do clube, inclusive Paulão.

O jogador está emprestado para a equipe carioca até o final do ano, mas nada impede que seja devolvido antes do término do empréstimo. Paulão é apontado como o líder de reinvindicações do clube, dentre elas ameaças de greve por conta no atraso do pagamento de selários.

Agora depende tudo do departamento jurídico vascaíno, que analisará a possibilidade de devolução, alegando indisciplina. Paulão tem contrato com o Inter até o final de 2019 com um salário fixado em 300 mil reais mensais.

Caso volte ao Internacional, dificilmente será aproveitado na equipe principal, deverá ser direcionado ao Inter B para treinar ao lado de Seijas, Fernando Bob e Eduardo Henrique, que aguardam propostas para serem liberados pelo colorado.

Fonte: Gaúcha/Zh.

E ai Thomas Müller, quais times brasileiros MAIS CONHECIDOS NA EUROPA?


quarta-feira, 23 de maio de 2018

As finanças do Grêmio: agora é a vez de uma outra conquista – a do equilíbrio financeiro



As finanças do Grêmio em 2017 (Foto: ÉPOCA)

Romildo Bolzan Júnior colocou o clube no topo da América, mas ainda precisa equacionar seu futuro financeiro. Não haverá como passar de 2018 sem entrar no eixo.

RODRIGO CAPELO

Não há glória maior para um clube brasileiro do que vencer a Libertadores – há, claro, a conquista do Mundial de Clubes, mas a concorrência europeia é tão desleal do ponto de vista financeiro que tal vitória tende a rarear. O Grêmio chegou lá. Dirigido pelo técnico Renato Gaúcho, o time tricolor festejou o título continental com exibições de gala e só perdeu em Abu Dhabi para o Real Madrid de Cristiano Ronaldo. É o tipo de desempenho esportivo que motiva algumas conclusões automáticas no imaginário popular. A primeira: a performance em alta deve ter feito o clube arrecadar como nunca antes em sua história. A segunda: tanto dinheiro, administrado por uma gestão reconhecidamente profissional como a gremista, só pode ensejar mais algumas temporadas de bons resultados em campo. Vamos com calma. No mundo real, o presidente Romildo Bolzan Júnior fará a grande final de sua administração só agora, em 2018.


O faturamento tricolor foi mesmo o mais alto de sua história até aqui, com R$ 341 milhões arrecadados em 2017, reajuste de 5% sobre o que havia conseguido em 2016. O aumento se justifica principalmente pelo brutal aumento nas transferências de atletas, mais especificamente a partida do atacante Pedro Rocha para o Spartak Moscou no segundo semestre. Há mais pontos positivos. O departamento de marketing gremista fez bom uso da conquista da Libertadores e elevou a receita comercial, composta por patrocínios, royalties e licenciamentos, para mais de R$ 71 milhões. Também incentivado pelo marketing, o quadro social terminou a temporada com quase 100 mil sócios adimplentes e colocou mais R$ 67 milhões nos cofres do clube. Todas as linhas de receita cresceram na temporada mais recente. Só não se pode supor que a arrecadação em alta e as vitórias em campo resolvem toda uma gestão.

De modo a incentivar o desempenho da equipe dirigida por Renato Gaúcho, Romildo aumentou os gastos com remunerações do elenco no decorrer da temporada. Ao todo, foram R$ 159 milhões despendidos em salários, bonificações e direitos de imagem no ano, 39% mais do que o clube tinha investido no ano anterior. Os custos administrativos também subiram. Se o cálculo parasse por aqui, aquela arrecadação do parágrafo anterior pagaria todas as despesas e ainda deixaria um excendente considerável, que poderia ser usado para investimentos de olho na temporada seguinte. Mas o cálculo não para. O Grêmio tem um passado custoso. As despesas financeiras, majoritariamente compostas por juros sobre empréstimos bancários contraídos pelo clube gaúcho, consumiram mais R$ 56 milhões. E aí aquele excedente, que era grande, ficou pequeno. Romildo terminou o ano no azul, com superávit de R$ 2,7 milhões, porém não conseguiu saldar tantas dívidas quanto poderia.

No desfecho da temporada, o endividamento gremista ficou em R$ 333 milhões. Existem partes dele menos preocupantes, como a fiscal. Cerca de R$ 100 milhões, ou 30% do total, serão devolvidos ao governo federal por meio do parcelamento permitido pelo Profut nas próximas duas décadas. Desde que não atrase as mensalidades, não há o que temer. Mas existem partes mais graves. Há R$ 80 milhões emprestados de instituições financeiras, como Banrisul e BMG, dos quais R$ 67 milhões precisam ser quitados necessariamente no decorrer de 2018. Não é uma quantia trivial. Lembre-se que, além da dívida em si, estão embutidos no pagamento dela os juros mencionados lá atrás. Não há escapatória deste endividamento. No momento em que Romildo tomou a grana emprestada para resolver pendências na administração gremista, o presidente entregou aos bancos alguns de seus maiores contratos como garantia. O patrocínio do Banrisul, o contrato de materiais esportivos da Umbro e verbas da TV Globo foram comprometidos.

Ora, dirá o otimista, nada de novo. O Grêmio tem credibilidade e condições financeiras para "rolar" alguns desses empréstimos – no financês, "rolar" designa a renegociação para esticar o prazo para o pagamento. Mas a perspectiva financeira para 2019 não é das mais favoráveis. A partir da temporada que vem, mudará a maneira como a TV Globo faz os pagamentos do contrato de direitos de transmissão. A cartolagem do futebol brasileiro estava insatisfeita até pouco tempo atrás com a distruibuição das verbas da televisão, então pressionou a emissora, na última negociação ocorrida em 2016, para adotar um modelo de divisão famoso por ter funcionado no futebol inglês: 40% divididos igualmente entre todos, 30% conforme a posição na tabela e 30% de acordo com a audiência. Os contratos foram assinados. Tudo certo. O que a cartolagem não reparou, de modo geral, é que neste formato não há como a Globo repassar toda a verba no início da temporada. Como 60% da verba passarão a ser variáveis, a maior parte dos recursos só poderá ser repassada ao término da temporada, quando serão sabidas posições e audiências.



A mudança no pagamento dos direitos de transmissão forçará todos os clubes a adaptar seus fluxos de caixa – inclusive o Grêmio. Os desdobramentos para aqueles que não acertarem suas contas podem ser perversos. É por isso que Romildo tem responsabilidade em 2018 talvez até maior do que teve no vitorioso ano de 2017. As dívidas bancárias, sobretudo os R$ 67 milhões de curto prazo e os juros que virão com eles, precisam ser equacionadas nesta temporada para que o clube não se complique a seguir. Nada disso é exclusivo ao Grêmio. O futebol brasileiro inteiro passa pela mesma dificuldade. Mas cada clube está em uma posição diferente em relação ao seu endividamento. Tudo o que a conquista da Libertadores pode proporcionar o Grêmio aproveitou: as receitas recorrentes aumentaram, o time campeão continental começou bem 2018, inclusive com mais um título estadual, e a impressão de bonança se acentua quando comparada a situação tricolor com a do endividado e perdedor Internacional. Mas o desafio que se impõe não é banal.

Facilita a vida de Romildo a valorização do elenco que acaba de vencer a Libertadores e o Gaúchão. O meia Luan continua a compor o time profissional gremista, apesar das especulações de longa data sobre sua saída. Ele é um ativo valioso. Assim como é o volante Arthur, que tem atraído o interesse estrangeiro desde que contribuiu para o título da competição continental, inclusive com uma negociação que vai e vém com o Barcelona. Além deles, há o jovem Everton nas categorias de base com potencial para uma transferência polpuda. É claro que, para o torcedor que esperava ver todos esses jovens talentosos em campo atrás de mais títulos, esta é uma solução que embrulha o estômago. Melhor seria se o futebol brasileiro, como o europeu, tivesse finanças ajustadas para que a venda de seus melhores jogadores não fosse obrigada pela necessidade de acertar o fluxo de caixa. Mas não tem. Os clubes brasileiros cronicamente dependem da exportação de seus talentos para fechar suas contas. E o Grêmio neste caso não é exceção.

Se existe alguma outra alternativa para que o Grêmio equacione suas dívidas bancárias sem vender tantos atletas? Sim, existe. A Arena do Grêmio. Mas aí começa uma outra novela. Hoje, a situação é a seguinte. O estádio tem sido administrado pela OAS, que não o quer mais, e sacrifica os cofres gremistas de duas formas. Em primeiro lugar, toda a bilheteria das partidas fica para pagar a manutenção do empreendimento. Em segundo, o clube ainda precisa depositar cerca de R$ 20 milhões anuais na conta da construtora para compensá-la por outros custos. É por isso que, a despeito de tanto sucesso no aspecto esportivo em 2017, o faturamento gremista diretamente com a sua torcida só aumenta se houver incremento no número de associados. Vender mais ingressos não adianta de nada. Num cenário otimista, em que o clube assume a administração do estádio e passa a explorar suas receitas comerciais e principalmente com bilheterias, haveria como elevar seu faturamento a um outro patamar. Só que esta é uma novela cheia de nuances.

A diretoria de Romildo tem uma proposta praticamente formatada para assumir a gestão da Arena do Grêmio. A ideia consiste em manter pagamentos de cerca de R$ 20 milhões anuais à OAS, para que a empreiteira faça jus aos empréstimos bancários que tomou no momento da construção do estádio. Além disso, numa negociação que tem o Ministério Público estadual à mesa, o clube assumiria a responsabilidade de fazer benfeitorias no entorno da Arena estimadas em aproximadamente R$ 100 milhões. O poder público está em cima do negócio porque a OAS tinha assumido esse compromisso, mas não o cumpriu. E, obviamente, o Grêmio precisará dar conta das despesas do estádio, que ainda são desconhecidas em sua plenitude, mas são obviamente altas. Esta jogada só fará sentido para a administração de Romildo se a Arena do Grêmio tiver potencial de arrecadação superior a todos esses itens, para que se pague tudo o que é necessário e ainda sobre dinheiro para o futebol. É mais uma decisão que colocará o Grêmio mais próximo do equilíbrio financeiro em 2019, ou distante de vez.

Bem vindo Rodrigo Caetano


Rodrigo Caetano pelo Fla

Contratações: 42

Eliminação Carioca:
2015/2016/2017

Eliminação Copa do Brasil:
2015/2016(Fortaleza)/2017(Vice)

Eliminação Sulamericana:
2016(Palestino)/2017(Vice)

Eliminação Libertadores:
2017(Fase de grupos)

Só sucesso...

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Por penalização da Globo, Inter perderá até R$ 50 milhões. O péssimo negocio que Inter fez com o EI


A partir de 2019, a Globo mudará o sistema de pagamento dos clubes no Brasileirão.

Ela distribuirá um total de R$ 600 milhões para os 20 clubes da Série A, seguindo um modelo bem parecido ao aplicado na Inglaterra:

40% deste valor sera distribuído igualmente entre todos os clubes
30% será baseado na venda do pay per view
30% conforme o desempenho dos clubes no campeonato
E ai vem o detalhe bastante importante.

Como o Internacional assinou com a TV Esporte Interativo ao invés do Sportv para os anos de 2019 e 2020, a Globo penalizou o clube.

Isso porque além do contrato com a tv fechada, ainda tem o contrato do pay per view e da própria tv aberta, com a Globo mesmo.

O Inter e os outros que fecharam com o EI levaram um desconto de aproximadamente 20% no acordo dos valores que irão ganhar já a partir de 2019.

Mais do que isso, quando estas primeiras equipes foram para o EI, a Rede Globo começou a despejar dinheiro nos clubes que faltaram justamente para não perder mais espaço.

Resultado? Essa também foi uma penalização indireta. Aqui tem um exemplo citado:

O Grêmio ganhou R$ 100 milhões de luvas (premiação no ato da assinatura) e o Inter R$ 47 milhões do EI.

Claro que esta premiação de R$ 47 milhões foi apenas por assinar a tv fechada, ainda foram pagas bonificações pelos contratos de tv aberta e pay per view, mas elas não chegaram nos R$ 100 mi do Grêmio e outros clubes.

Ao todo, a diretoria colorada acredita que perderá algo em torno de R$ 40 a R$ 50 milhões nas próximas duas temporadas em que estes vínculos são válidos.

Existe uma certeza interna no Internacional que assinar com o Esporte Interativo foi um péssimo negócio.

O Copião de tudo ta quebrado e quase falido mas a IVI não fala nada...


Só tinha 1 ingresso vendido para o show da/o Pablo Vittar. Por isso cancelaram.


terça-feira, 24 de abril de 2018

Clubes questionam ‘erro’ milionário do Esporte Interativo no contrato de TV do Brasileirão


Contrato assinado entre clubes (como Atlético-PR, Palmeiras, Bahia, Santos, Inter, Paraná, Ceará e Coritiba) e emissora de canal fechado prevê valores menores do que foi acordado verbalmente entre as partes, garantem dirigentes. Emissora não comenta suposta divergência

A aparente boa relação entre Esporte Interativo (EI) e os 16 clubes que fecharam com a emissora para transmissão dos jogos do Brasileirão na TV fechada (período 2019-2024) está na berlinda.

O principal impasse é uma diferença de aproximadamente R$ 147 milhões entre o que as equipes dizem ter acordado e o que efetivamente aparece no contrato assinado por todos os presidentes, conforme apurou a Gazeta do Povo.

O problema está nas luvas de assinatura prometidas -– e pagas antecipadamente – aos parceiros do canal da bilionária americana Turner. Enquanto representantes dos times ouvidos pela reportagem garantem que os prêmios são valores à parte e não entram no montante total do contrato, o EI descontou as quantias do bolo a ser dividido.

Em abril de 2016, durante cerimônia de assinatura do contrato, o ex-presidente do EI, Edgar Diniz, anunciou que o acordo valia R$ 550 milhões por temporada.

A questão foi descoberta recentemente. Três clubes se reuniram com o canal na semana passada para apontar o suposto erro. A resposta, no entanto, foi de que o contrato está correto. A justificativa é que as luvas abatidas fazem parte de um adiantamento.

Desde então, o assunto é tema recorrente de negociação. Dirigentes a par da questão estão indignados, mas a grande maioria ainda não se atentou à divergência.


Palmeiras, Santos, Atlético-PR, Bahia e Coritiba receberam R$ 40 milhões cada como luvas do EI. Já o Internacional, cujo vínculo é de apenas dois anos, levou R$ 13,6 milhões. As outras equipes ligadas ao canal (Ceará, Criciúma, Figueirense, Fortaleza, Paraná, Paysandu, Ponte Preta, Santa Cruz, Joinville e Sampaio Corrêa) receberam valores menores, negociados caso a caso.

“O que os Conselhos Deliberativos aprovaram é diferente do que está no contrato”, afirmou um dirigente à reportagem em condição de anonimato.

“O contrato com o EI é estranho em relação a tudo que foi divulgado na época. Os presidentes assinaram um contrato diferente do que foi divulgado. E isso impacta todos que fecharam”, completou o cartola.

Procurado pela reportagem, o canal disse via assessoria de imprensa que não iria se manifestar. “Em respeito aos clubes e às cláusulas de confidencialidade, o Esporte Interativo não comenta contratos”.

Contrato do Esporte Interativo com os clubes
O valor total a ser dividido pelos clubes sequer aparece explicitamente no contrato com Esporte Interativo. Há anexos com quantias referentes a cada clube e a soma corresponderia ao bolo total, caso o canal conseguisse a assinar com todos os 20 clubes da Série A.

O montante real, contudo, é proporcional ao número de equipes. Atualmente, com sete clubes da primeira divisão sob contrato, a fatia seria de R$ 192,5 milhões por temporada -- na visão dos clubes. Seguindo o que está no papel, porém, o resultado diminuiria consideravelmente e ficaria na casa dos R$ 141 milhões.

O somatório pode variar a cada temporada por causa do acesso e descenso – e também do valor previamente atribuído a cada equipe. O modo de rateio segue como o divulgado: 50% (dividido igualmente), 25% (desempenho) e 25% (audiência).

Atualmente, a televisão fechada paga R$ 60 milhões anuais aos clubes. O vínculo com a Rede Globo, que transmite os jogos no SporTV, acaba em dezembro de 2018.
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